22 de novembro de 2008
Na minha janela
19 de outubro de 2008
Lá fora
A noite escura e fria embala os corações de todos os que lá fora esperam mais um amanhecer. As camas de cartão feito disfarçam a rigidez do chão ou do banco de jardim, e adormecem. Adormecem como quem abafa os sentidos do nada ter, como quem esquece a tristeza de ser sem ser, como quem perdoa a rigidez daquele chão que toda a noite os acolhe.
São sem tecto, são sem casa, são aquilo que todos um dia podemos vir a ser, mas que (ainda) não somos. A vida nalgum momento foi madrasta e não mãe para aqueles que sem pressa vêm a lua, sem romantismo observam as estrelas e do céu fazem o tecto, e do jardim fazem a casa, e da rua fazem a vida.
Os parques de estacionamento são o trabalho, a ocupação, a igreja é a esmola que ainda que mal garantida, é o possível pão do dia. E a baixa é o passeio. Não o passeio de quem passeia, mas o passeio que se torna irmão, familia, companheiro de um e outro dia.
Lá fora, a noite que embala estes filhos da rua, diz-me que é hora que dormir... Amanhã, mais um dia virá, e amanhã, a noite será menos fria, menos escura, menos madrasta, mais mãe.