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22 de novembro de 2008

Na minha janela

Na minha janela vejo outras janelas.
Na minha janela vejo pequenos mundos que se abrem e que se cruzam com o meu, mesmo sem desconfiar.
Vejo a azáfama dos outros e parada, defronte ao vidro frio e transparente, vou esperando. Não sei bem o quê. Não sei bem porquê.
Vou esperando e olhando.
Mas o relógio continua a rodar e não pára. O tempo passa depressa sem avisar. Os mundos que vejo da minha janela vão-se apagando hora a hora, minuto a minuto.
A sra idosa do prédio amarelo não passa mais a ferro, o sr de bigode não fuma mais o seu cigarro na varanda, a vizinha da frente não estende mais a sua roupa branca na corda e os miudos dos rés-do-chão não jogam mais à bola. O ritmo vai acalmando e as vidas, nas pequenas janelas que me envolvem, vão cessando o seu rodar.
A idosa, o sr, a vizinha ou os miúdos foram provavelmente dormir enquanto eu fico por aqui, de janela aberta, de luz acesa a velar-lhes o sono e a adivinhar-lhes os sonhos.
*

22 de março de 2008


Esperamos para nascer, para andar, para falar, esperamos o primeiro dente, o primeiro beijo, o primeiro encontro, o primeiro namorado.
Esperamos ser alguém, esperamos em pé, esperamos sentados, esperamos deitados.
Esperamos saber esperar,
Esperamos saber aguentar,
Esperamos não desesperar,
Esperamos por nós mesmos e esperamos pelos outros...
Há quem espere em vão,
Quem espere uma vida,
Quem não saiba esperar..
Esperamos objectivos, recompensas, frutos, alegrias.
Esperamos durante a nossa espera que alguém espere por nós,
Esperamos que a nossa espera nos deixe algures junto à espera de alguém..

Há sempre, pela espera de quem espera, alguém que desespere, mas não será que quem espera sempre alcança?!