26 de novembro de 2008

Jornalismo - Um mundo para descobrir

Relato de futebol : "Chega agora a informação...O jogador que há pouco saiu lesionado sofre de uma fractura craniana no joelho"
- Não se dá bem com a medicina, nao?!

Rádio Voz de Arganil: "Quatro hectares de trigo queimados. Em principio trata-se de um incêndio"
- Não será antes uma inundação?!

Jornalista da TVI: "Estão zero graus negativos!"
- E viva matemática!!

Jornalista da TVI: "As chamas estavam a arder"
- Figura de estilo claro!!!

Jornalista da TVI Manuela Moura Guedes: "Um morreu e outro está morto"
- Bla bla bla bla palavras para quê?!

Rodapé do Jornal da Noite: " O assassino matou 30 mortos!"
- Ninguém pode dizer que não morreram.

Jornalista da RTP: "É trágico, está a arder uma vasta área de pinhal de eucaliptos"
- ...é trágico!

Jornalista da TVI: "Foi assassinado, mas não se sabe se está morto!"
- Peçam ao assassino dos 30 mortos que ele ajuda a resolver.

Comentário acerca do caso Aquaparque: "Os aquaparques têm feito, durante este ano, muitas vitimas. Que o digam os dois mortos registados este mês"
- Quem irá ser o enviado especial ao Além?!


E assim, os pontapés linguisticos, as incongruencias verbais, os substantivos inventados, ou as metáforas forçadas vão alimentando os sonhos daqueles que esperam vir, um dia, a fazer bom jornalismo em Portugal.

25 de novembro de 2008

Chove lá fora e as nuvens negras enegrecem o dia.

Diminuição,
Diluição,
Depressão,
Destruição,
Derrota,
Derrube,
Desabamento,
Desabituação,
Desacordo,
Desacreditar,
Desaconchego,
Desagrado,
Desajuste,
Desalento,
Desalinho,
Desalojamento,
Desânimo,
Desaparecer,
Desapego,
Desapoio,
Desapontamento,
Desaprovação,
Descarrilar,
Descalabro,
Degredo,
Declive,
Dardo,
Dano,
Débil,
Decadencia,
Desafinar,
Desabar,
Desembalar,
Desfazer,
Desfeita,
Desinteresse,
Desistir,
Deslize,
Desmaiar,
Desnível,
Despedida,
Desprezo,
Discussão,
Desordem,
Dormencia,
Dormir,
Distanciar,
Distancia,
Drama,
Duelo,
Dúvida.
Desilusão

Chove lá fora.

22 de novembro de 2008

Na minha janela

Na minha janela vejo outras janelas.
Na minha janela vejo pequenos mundos que se abrem e que se cruzam com o meu, mesmo sem desconfiar.
Vejo a azáfama dos outros e parada, defronte ao vidro frio e transparente, vou esperando. Não sei bem o quê. Não sei bem porquê.
Vou esperando e olhando.
Mas o relógio continua a rodar e não pára. O tempo passa depressa sem avisar. Os mundos que vejo da minha janela vão-se apagando hora a hora, minuto a minuto.
A sra idosa do prédio amarelo não passa mais a ferro, o sr de bigode não fuma mais o seu cigarro na varanda, a vizinha da frente não estende mais a sua roupa branca na corda e os miudos dos rés-do-chão não jogam mais à bola. O ritmo vai acalmando e as vidas, nas pequenas janelas que me envolvem, vão cessando o seu rodar.
A idosa, o sr, a vizinha ou os miúdos foram provavelmente dormir enquanto eu fico por aqui, de janela aberta, de luz acesa a velar-lhes o sono e a adivinhar-lhes os sonhos.
*